Prezada Baleia,
Eu sei que você não precisa de mais dinheiro. Esse é exatamente o ponto desta carta. Você já passou da fase em que dinheiro comprava emoção. Somar mais um zero na planilha hoje tem o mesmo impacto emocional que trocar a marca do papel higiênico.
O que ainda sobrou pra você? Mais um carro que você não vai dirigir? Outra tese de investimento que você vai delegar? Você já apertou todos os botões que o dinheiro sabia apertar. Restou o pior de todos os luxos: o tédio patrimonial.
Eu vim te oferecer a única coisa que nunca aparece em leilão: uma história absurda, real, documentada, com o seu anonimato no meio dela. Não um prédio com o seu nome na fachada. Não uma ala de hospital com placa de bronze. Um experimento social que começa num pastel de feira e termina no primeiro milionário por doação da história da internet.
Zero vírgula zero um Bitcoin, pra você, é o troco que cai atrás do sofá. Pra mim, é a diferença entre “um cara qualquer na internet” e um caso estudado em aula de marketing. A assimetria é tão obscena que ela mesma já é o argumento.
E que fique claro: isto não é caridade. Caridade tem relatório chato e foto posada. Isto é entretenimento com prestação de contas pública: marco por marco, nota fiscal por nota fiscal, vergonha por vergonha.
A pergunta não é “por que eu deveria?”. A pergunta é: o que mais você ia fazer com 0,01 BTC hoje?
— O Experimento da Baleia de Bitcoin
Assinado com uma mão trêmula e uma carteira vazia.
P.S. Se você chegou lendo até aqui, você já está emocionalmente envolvido. A transação é só a formalização de um sentimento que já existe.



